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A dor pela ótica do amor

A dor pela ótica do amor

21.08.2010

De todos os sentimentos, emoções e sacrifícios inerentes à decisão de amar, certamente vivenciar a dor é a mais difícil pois não conseguimos encarar a dor pela ótica do amor e geralmente nos fechamos e criamos mecanismos de defesa, quando o melhor remédio seria o amor. Dedico este artigo a pessoas especiais para mim, que me fizeram experimentar o amor de Deus de uma maneira intensa: Luana, Fernanda, Luciene e Bernardo. Amo vocês.

É importante salientar que nem sempre a dor é motivada por sentimentos de amor. Refiro-me aqui àquelas dores causadas por situações envolvendo pessoas que amamos. Obviamente que a dor motivada pelo ódio dificilmente enolve amor. Aquela dor causada por motivações egoístas, possessivas e por paixões baratas também não pode ser classificada como fruto do amor. Refiro-me, neste artigo, a dor que muitas vezes acometem os que vivenciam decididamente o amor. Amar é sofrer. É desta dor que estou falando, da dor proveniente da nossa disposição para amar e deixar-se ser amado.

O próprio Jesus viveu e demonstrou na própria carne sua disposição ao amor, deixando-nos um belíssimo exemplo de como é possível amar através da dor. Jesus também demonstrou como a dor daqueles que amam é vivenciada na alegria e doar-se em prol do outro. Ele mesmo doou tudo que tinha, inclusive a própria vida. Exemplo maior de vivenciar a dor por amor, creio que não encontraremos jamais. Não precisaremos, na maioria do casos, dar a vida literalmente para exercitarmos o amor. Para nós o mais difícil é “dar o braço a torcer”. Se nos dias de hoje reconhecer que erramos e que poderiamos ter agido de forma diferente já é extremamente difícil, o que dizer então de dar a própria vida? Nos moldes do mundo isso seria burrice. Nos moldes herdados e demonstrados por Jesus isso seria absolutamente normal. É uma pena que nossas limitações nos façam esquecer de que a dor faz parte da aventura de amar. Nosso orgulho e egoísmo nos cega e não nos permite enxergar que mesmo em meio a dor, ao sofrimento, às convicções, o amor pode manifestar-se de maneira poderosa e avassaladora, sendo capaz de transfomar tudo a nossa volta, nos dando uma nova maneira de ver e sentir o que acontece conosco. É pelo amor que somos capazes de escrever certo por linhas tortas, como ouvinos no dito popular. A Palavra de Deus nos dá um belo exemplo do que é viver o amor e suas implicações. Basta ler a primeira carta de São Paulo aos Coríntios, capitulo 13. Inclusive esta passagem sobre o amor virou música secular na voz do grupo Legião Urbana. Pena que a música entra por um ouvido e sai pelo outro, não fazendo a parada recomendada por Jesus no nosso coração. Mesmo lendo e ouvindo sobre o amor e suas implicações muitas vezes dolorosas, fazemos questão de ignorar a melhor parte e desejamos vivenciar somente o que nos é cômodo e geralmente fácil. Digo a melhor parte pois viver a dor como preceito da decisão de amar é exercitar nossa capacidade de doação e consequentemente é tornar o meu amar cada vez mais forte. Amar quem nos ama é muito fácil. Jesus mesmo disse: “Digo-vos a vós que me ouvis: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, abençoai os que voz maldizem e orai pelos que vos injuriam” (cf. Lc 6,27-28). No pedido feito por Jesus encerra-se todo o conceito chave deste artigo em vivenciar a dor em nome o amor. Quem ama consegue conformar-se com a dor, com o abandono, com o descaso, com as calúnias, perseguições e afins. Quem ama também consegue, mesmo em meio a dor, reconhecer seus atos errados e concertá-los. A dor vivenciada pela ótica amorosa nos capacita a isso. Pena que muitos simplesmente ignoram a vivência dolorosa de amar e procuram apenas o lado feliz do amor, que segundo o próprio Jesus é o mais fácil e que não merece reconhecimento ou recompensa (cf. Lc 6,33). Amar quem me ama ou em situações normais, quando tudo está indo bem, é bem simples. Amar quando não há traição é fácil demais. Difícil é continuar amando quem nos trai e procura nos fazer o mau. Nisso consiste o maior e mais difícil exercício: amar quando não sou amado.

Pela ótica do “amor” que é pregado hoje abertamente nas malditas novelas, seriados e na apelação sexual bizarra que permeia um falso sentimento de amor, aliado apenas ao prazer, bem estar e a uma vida desregrada e fundamentada no descontrole e total desconhecimento de si mesmo e do outro, viver os ensinamentos e Palavras de Jesus é considerado loucura. Realmente, para os conceitos mundanos isso realmente é inconcebível. Porém não fomos criados para o mundo! Muito pelo contrário! “Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, ms quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.” (cf. 1Jo 2,15-17). Recusar-se de vivenciar o lado difícil do amor é abster-se da vontade de Deus e vivenciar um amor falso e pobre, encaixando-se naquilo que São João muito bem nos alerta no texto bíblico citado anteriormente. Fingir que a dor não existe é viver nosso desejo carnal de sempre “ficar numa boa” e que a Palavra de Deus deve ser vivida somente pelo meu vizinho, amigo ou parente e nunca por mim mesmo.

Façamos um exercício sincero de amor. Deus não nos pediria isso se não fossemos capazes de o fazê-lo. Acredite! Você pode superar o que está acontecendo com você PELO AMOR! Não há outro caminho a não ser este. Tudo termina no amor. Se ainda não acabou é porque o caminho escolhido certamente foi o mais fácil, que é o de não amar. Quem opta por amar opta pelo caminho mais difícil, mais o único caminho que nos leva a algum lugar. O caminho fácil, onde ignoramos a dor, nos faz caminhar em círculos onde nunca chegaremos a um lugar, fechando-nos em nós mesmos e vivendo uma vida falsa, fingida e construida em cima de sentimentos pobres que não resistirão ao primeiro vendaval.

Ame, ame e ame! Porém, da forma certa! Deus é contigo!

Abraços.

Fonte: Alan Cota

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