A solidão do ministro de música
20.06.2010Talvez você se assuste com a definição de que a solidão seja algo saudável. Digo que com equilíbrio ela é saudável sim e até mesmo necessária em alguns momentos de nossa vida. Para o ministro de música a solidão é momento de recarga das baterias e pode ser transformado em um momento de deserto e profunda intimidade com Deus.
A solidão é uma grande vilã, quando não sabemos lidar com ela de forma equilibrada. Como assim, talvez você esteja se perguntando neste exato momento. Digo que a solidão em excesso pode tornar-se um vício que nos torna pessoas amargas e distantes, gerando o isolamento social, que é muito diferente da solidão. Segundo o dicionário Aurélio solidão significa “o estado do que se encontra ou vive só”. Claro que psicologicamente falando definir a solidão com esta simplória frase seria muito vazio e até mesmo errôneo. Mais não quero me ater aos conceitos psicológicos por trás da definição, complexa ou não, da palavra solidão. Quero, aqui, mostrar aos ministros de música a importância de estar bem consigo mesmo. Bem estar que pode ser cultivado nos momentos de solidão, muito propícios para àqueles que costumam ministrar em meio a multidões sedentas de Deus.
O ministro de música carrega em si uma arma poderosíssima: seu dom. O dom musical, concedido por Deus, quando bem empregado torna-se uma ferramenta essencial em todos os momentos de retiros, grupos de oração, congressos e até mesmo na Liturgia. Porém para que a eficácia de tal dom seja confirmada o ministro de música precisará deixar sua sensibilidade ser totalmente usada por Deus. Isso pode causar alguns problemas naqueles ministros que não estão preparados para terem sua sensibilidade aflorada de maneira estupenda, como acontece com àqueles que são tomados pelo poder do Espírito Santo e por Ele usados. Aí entra a solidão, como um grande remédio para o ministro de música. Pontuo que não menciono aqui a solidão com intuito de isolamento mais sim de silenciar os barulhos internos e externos, de maneira a ficar totalmente quieto, abandonado e conectado a Deus. Este “retirar-se” para Deus, na vida do ministro de música, é importantíssima e extremamente fundamental para reabastecimento e manutenção de qualquer chamado.
Quando somos chamados por Deus, somos verdadeiramente escolhidos por Ele. Porém Deus nos escolhe não porque estamos totalmente prontos e repletos das habilidades que Ele precisa. Deus nos escolhe, pois consegue enxergar em nós pessoas que podem cumprir àquilo que precisa ser cumprido. Deus nos escolhe, pois sabe que daremos conta do recado e que através de Sua força e graça, podemos alcançar muitos corações através deste chamado e principalmente Deus nos escolhe pois quer, também, agir em nós, transformando nossa vida, nossa maneira de ver as coisas, nosso modo de amar, nossas paixões, entregas, etc. Enfim, Deus usa de pretexto nosso chamado, para nos ter por perto. Por não estarmos prontos, e creio que nunca estaremos, Deus sempre precisa trabalhar em nós, naquilo que muitas vezes são situações profundas, enraizadas em assuntos do nosso passado e que no coração do ministro de música, quase em 100% das vezes, tais sentimentos estão diretamente ligados à emoção e sensibilidade. Avançar e crescer como ministro de música é ter sua sensibilidade cada vez mais aguçada para Deus. Se ela se aguça para Deus ela também irá aguçar-se para todas as outras situações que compartilhem sentimentos com a sua sensibilidade. Mais qual a relação da solidão com a sensibilidade do ministro de música. Muitas! Arrisco dizer que uma não vive sem a outra. Um ministro de música que está em evidência e servindo muito a Deus, precisa retirar-se para em sua solidão humana encontrar-se consigo mesmo e com Deus. Este encontro pessoal, somente conseguido na solidão e no silêncio, nos faz lapidar e santificar nossa sensibilidade, evitando assim de sermos derrubados por ela e que ela nos faça pecar pois a grande maioria das vezes que pecamos somos movidos pela emoção do momento, cuja maior inimiga é uma sensibilidade “mal treinada”. É preciso silenciar-se, caro ministro de música. Sei o quanto isso pode lhe parecer difícil, mais, lhe asseguro que o crescimento sustentável do seu ministério depende exclusivamente da sua capacidade de retirar-se para junto de Deus. No silêncio, na paz e longe dos barulhos causados por você e pelos outros. Longe dos barulhos dos problemas, dos amplificadores, palcos e eventos. É verdadeiramente na solidão, que o faz isolar-se de tudo isso, que o ministro de música pode auto avaliar-se e também ter seu momento de intimidade com Deus.
Quando o ministro de música não vivencia esta solidão, necessária, o mesmo corre sérios riscos de cultivar sentimentos que são atraídos a nós através da nossa sensibilidade, que atua como um grande imã e traz a nós muitas coisas boas mais também muitas coisas ruins, destrutivas e que só pelo poder de Deus, em um encontro pessoal com Ele, podemos nos livrar delas. É somente na solidão do encontro pessoal com Deus que o ministro de música consegue equilibrar-se e crescer espiritualmente. É no silêncio que treinamos nossos ouvidos espirituais para ouvir a voz de Deus mesmo em meio a retornos barulhentos e a fontes externas, ou internas, de muito barulho. Sem a vivência desta solidão torna-se incapaz cultivar o silêncio em nós, causa de tantas quedas e tantos abandonos de ministros de música na Igreja. O ministro de música que não encontra no silêncio uma fonte de reabastecimento e intimidade com Deus, corre sérios riscos de ser surpreendido por sua sensibilidade, que o dominará e fará dele o que bem entender. O ministro de música que não vivencia seu momento de solidão, de retiro e de esquecimento, corre sérios riscos de começar a ser o centro das atenções, atraindo sobre si os olhares, os elogios (que são válidos porém quando recebidos por corações despreparados são um verdadeiro desastre) e até mesmo a glória que são única e exclusivamente de Deus. A falta de silêncio causa tudo isso mesmo e muitos de nós já vivenciamos isso.
Como conseguir vivenciar esta solidão de forma equilibrada? Esta é uma grande pergunta cuja resposta somente você, que lê este texto agora, pode dar pois se trata de algo extremamente particular e que irá se moldar com suas necessidades, tempos, família, capacidade de doar-se, etc. Porém existem algumas dicas para encontrar este equilíbrio. Aqui vão elas:
1. Procure ter uma vida de oração e intimidade com Deus;
2. Exercite o silêncio sempre;
3. Procure ter momentos consigo mesmo, como assistir a um filme sozinho;
4. Descubra em você uma grande companhia e goste de estar consigo mesmo em alguns momentos;
5. Peça sempre a Deus que santifique sua sensibilidade para que ela não venha a lhe dominar nunca;
6. Após ministrar a música, procure acalmar-se e experimentar 10 minutos de silêncio, se possível na presença de Jesus Eucarístico. Não diga nada. Não peça nada. Não reclame e nem agradeça. Apenas fique ali, desligando sua mente. Jesus irá entender e irá santificar todo o seu ser. Este é um valioso exercício;
7. Aproxime-se de Maria, pois ela é a Virgem do Silêncio e soube como ninguém guardar todas as coisas no coração, antes mesmo de falar;
8. Seja um ministro de música repleto do Espírito Santo e não ouse fazer absolutamente nada sem a presença, força e sabedoria dada por este mesmo Espírito Santo. Isso lhe ajudará a manter sua sensibilidade sobre o controle do Espírito Santo;
9. Seja um adorador! A solidão e abandono diante de Jesus Eucarístico é o melhor dos retiros! Faça momentos de adoração silenciosa e contemplativa semanalmente e principalmente antes de qualquer ministração de música.
10. Busque sempre reconciliar-se com Deus no sacramento da confissão. Estar reconciliado com Deus nos ajuda a retirar-nos na presença deste Deus, que sempre nos acolhe e age em nós.
Estas 10 simples dicas, inspiradas pelo Espírito Santo, podem ajudar a muitos ministros de música que têm vivido vidas extremamente expostas e não têm tido tempo de refletir e de saborear sua própria companhia. Lembre-se, ninguém é capaz de amar o outro se não ama a si próprio. Podemos concluir também que ninguém é capaz de escutar o outro se não silenciar-se. E eu só consigo silenciar-me quando tenho autodomínio, que é fruto de uma vida de doses santas de solidão contemplativa na presença deste Deus, que amorosamente cura nosso coração.
Por isso, meu querido irmão em Cristo, viva esta santa solidão na presença de Deus. Só você e Deus. Mais ninguém! Abra-se a isso e veja quantas maravilhas Deus fará em você e através de você!
Até o próximo texto!
Fonte: Alan Cota



Meu Deus Alan! Estava aqui no msn falando de solidão com uma amiga e recebo um e-mail falando deste texto! Alan,não sou ministra de musica, mais estes texto…enfim,vc é o cara, ou melhor digamos que vc é o *PSICÓCOLO do NP!Parabens por tua missão,vc é uma bençam em nossas vidas.
Eu me sinto previlegiada por ter sua amizade, obrigada por tudo!
Fique com Deus!
A paz do senhor e o amor de Maria, a Toda Santa Mãe de Deus meu irmão!!
Quero agradecer-lhe por deixar ser usado pelo Senhor, sendo instrumento para com Sua Palavra à nós.
Essa é a primeira vez que acesso sua coluna e já me sinto atraido para continuar e levar a outros à lerem também e desfrutar da essência do texto.
Deus te abençoe e te dê SHALOM!!!!!!
Francisco
Meu amigo, obrigado pelo carinho e verdade em suas palavras de incentivo. Fico imensamente feliz em saber que o Deus que eu anuncio chegou ao seu coração. Missão cumprida! Levemos a Santa Palavra de Deus a todos que necessitam dela. Obrigado pela divulgação. Abraços. Deus lhe abençoe.