Amor, fundamento da liderança de Jesus
17.07.2011Jesus é exemplo de muitas coisas. Certamente, nós cristãos, temos Nele novos anseios de perfeição. É igual a Ele que tentamos ser desde o momento em que acordamos até o momento em que dormimos. Tentamos, ou pelo menos devíamos, imitá-lo em sua forma de pensar, agir, falar, olhar e amar. Um dos aspectos da pessoa de Jesus Cristo que desperta admiração a muitos, mesmo os que não o conhecem a fundo ou não o amam, mais já ouviram falar de suas atitudes; é sem dúvida a capacidade que Ele tinha de liderar pessoas e situações. Jesus é mestre em administrar conflitos. Nos dias de hoje poderíamos dizer que Jesus Cristo seria o maior professor de cursos de MBA. Pena que nem todos procuram aprender com ele. Creio que não seja seu caso, visto que você está lendo este artigo sobre a pessoa de Jesus Cristo!
Jesus Cristo reunia na mesma pessoa duas naturezas: a divina e a humana. A isso damos o nome de união hipostática. Por isso Jesus encanta quem o admira como um grande homem e também os que o admiram nas duas naturezas, que é o caso dos cristãos. Por isso podemos aprender com estes dois aspectos de Cristo. Por um lado um homem, que sofria como homem, sorria como homem e sentia como um humana comum (menos no pecado), feito de carne, ossos, células e afins; como cada um de nós. Em sua outra natureza Ele é Deus. É a união da divindade de Cristo com a natureza humana que faz dele um Deus digno de ser imitado.
Vários foram os grandes líderes citados nas Sagradas Escrituras. Rapidamente podemos mencionar Davi, Moisés, Ester, Abraão, Pedro, dentre tantos outros. Por isso, todos os que possuem um cargo de liderança podem, e devem, inspirar-se nas narrativas Bíblicas para aprimorar a maneira com que lidera seus projetos, pastorais, grupos de oração, pois no final tais líderes fazem como São Pedro, atendendo ao chamado do grande mestre e líder Jesus, ouvindo dele novamente: “apascenta minhas ovelhas!”. É uma pena que tantos, irmãos e irmãs, não entendem o que é ser um líder no meio do povo de Deus. Vamos conversar um pouco sobre isso neste texto.
O que é um líder? Já tentou se responder isso? Podemos trazer os conceitos de liderança aprendidos no dia-a-dia de trabalho, nas melhores práticas de gestão e business, para o contexto religioso? Minha resposta é, que com o devido equilíbrio, tudo pode somar quando falamos de vidas, sentimentos e pessoas que necessitam ser pastoreadas. Ao contrário de um grande gestor de uma organização, os líderes religiosos (sejam eles leigos ou ministros ordenados), precisam pautar sua gestão não na geração de lucros, corte de gastos ou afins, mais sim na geração de pessoas. E para isso, Jesus usava uma única matéria-prima para seu sucesso como líder: o amor. Até você, que ocupa um cargo de gestão dentro de sua empresa, pode ver que as dicas ensinadas e vividas por este Jesus Cristo, podem auxiliá-lo a ser um líder melhor. Vamos nos aprofundar nisso.
Dentro do contexto religioso, nem sempre aqueles que são chamados à liderança são os mais capacitados. Tomemos o exemplo de São Pedro. Se o compararmos a São Paulo, quem humanamente falando, estaria mais preparado para assumir a liderança da Igreja fundada por Jesus? Sem dúvidas o estudado Paulo! Mais aqui vemos como Jesus dá uma tratativa diferente quando o assunto é liderança, pois Jesus escolheu Pedro. Você pode dizer, mais quando Jesus escolheu Pedro o apóstolo Paulo ainda não tinha se juntado ao grupo. Verdade. Mais estamos falando de Jesus. Ele como Deus, sabe de tudo. Se o primeiro líder da Igreja tivesse que ser São Paulo, Jesus iria esperar o momento certo. Não foi o que aconteceu. Paulo era melhor que Pedro, e vice-versa? Claro que não. Jesus apenas tinha planos diferentes para cada um deles. Liderar é… :
1. (…) gerar crescimento no outro:
A liderança de Pedro foi fundamental para que a realização do plano de Deus fosse eficaz e assertiva através da missão de São Paulo. Aqui podemos notar o primeiro aspecto da liderança fundamentada no amor: gerar crescimento no outro! Se meu chamado como líder não gera crescimento nos que me foram confiados, não como servos, mais como ovelhas pertencentes a um grande rebanho do qual Jesus Cristo é o grande pastor; então eu preciso rever seriamente minhas atitudes. O verdadeiro líder precisa entender, e ter isso muito bem definido e claro, que nada pertence a ele! Nenhuma das vidas que estão sob seu “comando” lhe pertence. Tudo pertence a Deus! Tudo é plano de Deus! O líder é um mero administrador e que não tem direito algum sobre a vida dos que são liderados por ele. É uma pena que muitos não consigam entender isso e fazem justamente o contrário, deixando o poder subir a cabeça (como aconteceu com Satanás), gerando mais divisão que agregando os que lhe foram confiados. Para que meu chamado como líder dê frutos na vida dos que são por mim liderados, eu preciso entender que eles precisam de Deus muito mais que eu. Preciso ter em mente que meu papel, como líder, é de ser um mero facilitador e gerador de vida! Aqui, mais que em qualquer outra situação, o amor precisa falar mais alto. Sem amor é impossível enxergar isso. Sem amor meu chamado de liderança se torna um cargo ou um status, que só tem validade no inferno e em nenhum outro lugar. Liderança sem amor é a mesma experimentada pelos demônios. Não funciona! Ela só separa e não agrega nunca!
2. (…) saber ouvir:
O bom líder sabe ouvir tudo que chega até ele. Não com ouvidos desatentos, pretensiosos ou com seus pré-conceitos. Mais um ouvido que possui o crivo do amor. Jesus sabia ouvir tudo que chegava até ele, mesmo já sabendo tudo que seria dito. Por respeito e amor, ele ouvia tudo até o fim. Jesus ouvia com o coração. Assim deve ser um líder que atua em meio ao povo de Deus. Os líderes religiosos precisam estar atentos, principalmente, para escutar as palavras que somente uma lágrima pode dizer. Um bom líder sabe ouvir as intenções e até das situações de pecado e queda de seus liderados, ele sabe fazer a leitura do que é certo e do que fará crescer. O bom líder é amante do silêncio. Silêncio este que é gerado por uma vida de oração, intimidade e prática da caridade. Engana-se quem acha que o líder deve ter 100% da audição dos ouvidos. O bom líder precisa estar com os ouvidos da alma muito bem apurados, para ouvir aquilo que ninguém disse, aquilo que Deus está revelando ou o que está escondido por trás de redes de mentiras que têm tentado destruir os planos de Deus na vida de muitos.
3. (…) acolher a todos:
O bom líder sabe acolher a todos, independente da situação que lhe foi apresentada. Independente do pecado, todos são merecedores do acolhimento misericordioso de um bom líder. Bons líderes aprenderam com Jesus a optar pelos pobres, sejam eles em espírito ou bens materiais. O bom líder sabe acolher os sacerdotes, como eles merecem ser acolhidos: como ministros do reino de Deus. O bom líder sabe acolher, com o abraço da misericórdia, todos os que não conseguiram acertar. O bom líder acolhe tão bem, pelo simples fato de que aprendeu a enxergar o rosto de Jesus Cristo em tudo e em todos, principalmente nos que sofrem, nos que precisam se podas, nos que não aceitam o Evangelho, nos que se drogam, nos que não têm equilíbrio sexual, nos que não sabe se portar à mesa, nos que são alcoólatras, nos que pensam diferente dele, nos que têm opção sexual diferente e até mesmo aqueles que professam outra fé. O bom líder sabe que ali, escondido em algum lugar, está à pessoa de Jesus Cristo. No fundo, saber acolher, é tornar-se um grande pai, ou mãe, espiritual daqueles que são liderados por você.
4. (…) saber corrigir com amor:
Um bom líder não precisa fazer muita força para advertir, exortar ou gerar crescimento nos que são liderados por ele, quando já houver admiração de ambas as partes. Tanto o líder quanto o liderado precisam admirar-se mutuamente! Sem admiração é muito difícil estabelecer uma relação de liderança com quem quer que seja. Conquistar esta admiração não é tarefa das mais fáceis. O líder precisa se sobressair sobre os demais em vários aspectos como vida de oração, pontualidade, maneira de se portar, maneira de se vestir e principalmente testemunho de vida. Este último então, conta e muito, quando falamos de liderança. Ninguém admira, ou será liderado, por alguém que prega sobre castidade e é pego entrando em um motel com sua namorada. A contradição não deve fazer parte da vida e das atitudes de um bom líder. Quando se conquista os que são liderados, fica fácil corrigi-los pois o líder passa a ter propriedade e autoridade espiritual para se exortar ou chamar a atenção de alguém. O bom líder também sabe a hora, o local e como corrigir alguém, pois antes de mais nada o amor rege quaisquer atitudes de qualquer ato de liderança.
5. (…) é ter autoridade por amor:
Este é um dos pontos mais falhos em muitos dos líderes religiosos com os quais tive o prazer de conviver e aprender. É importante dizer que autoridade é muito diferente de autoritarismo. A diferença é simples. Autoridade se conquista pelo amor e admiração. O autoritarismo, ao contrário, se conquista pela obrigação, coação e ameaças. Bem de longe da maneira que Jesus usava como chave de qualquer convencimento ou manifestação de seu poder ou autoridade. Muitos líderes, mal preparados ou mal assessorados, optam por caminhos regidos pelo autoritarismo, ou seja, pela obrigação. Tais maus líderes transformam suas pastorais e grupos em verdadeiros “campos de concentração”, onde todos têm que “andar na linha”, senão são expulsos. Ninguém é obrigado a se submeter a tais devaneios. Aqui, novamente os ensinamentos de Jesus podem falar mais alto. Quando este tipo de líder autoritário se faz presente, os liderados precisam lançar mão da oração, jejum, adoração e diálogo para moldar e mudar seu líder pelo amor, pois no fundo ele apenas não consegue enxergar a situação pois nunca foi formado ou não aprendeu a usar o amor como base para sua liderança. Todos têm o direito de aprender. Todos os líderes chamados por Deus legitimamente carregam em si a força da transformação de si próprios e dos que estão à sua volta. Quando se tem autoridade, fundamentada pelo amor e admiração, até para repreender os que estão sob sua liderança, fica mais simples pois tanto o líder quando o liderado entendem que tal repreensão, suspensão ou atitude é a melhor não para um, para o outro ou para um grupo, mais para o plano de Deus! Isso mesmo, as atitudes deve ser em prol do plano de Deus sempre e não em prol daquilo que eu acho cômodo para mim ou para meu grupo/pastoral.
Acima nós lemos apenas cinco aspectos sobre a liderança no meio religioso. Claro que existem tantos outros pontos que podem ser colocados aqui, porém vamos deixar isso para outros artigos, não é mesmo? Peça a Deus a graça da governança! Que é o dom presente em todo líder legitimamente constituído por Deus. Reflita suas atitudes como líder. Se encontrou algo a concertar ou possíveis falhas, não tenha vergonha e não espere alguém lhe enviar este texto, procure seus liderados, peça perdão, cresça e conquiste sua admiração. Você verá que tudo mais ficará mais simples, se seu foco como líder for sempre o plano de Deus confiado a você.
Que o Espírito Santo ilumine suas decisões e seu chamado.
Abraços e até a próxima.
Fraternalmente,
Alan Cota.



