Cristianismo: O progresso da alma
30.05.2011Neste início de século temos percebido uma certa frustração generalizada com as grandes e tentadoras promessas de progresso por rígidas ideologias do séc. passado. Foram prometidas mudanças radicais pelo progresso no âmbito material, industrial, fundamentando-se única e exclusivamente na razão e na ciência. Apesar das diferenças ideológicas dos polos ocidental e oriental, ambos tinham por eixo central o progresso, traduzido, por exemplo, na corrida armamentista e espacial.
Apesar do êxito tecnológico e industrial, o ser humano foi deixado de lado. A ascensão de uma minoria deixou a grande parte para trás. Assim começa o grande desencanto das massas em relação às ideias prontas, aos dogmas pregados pelos mais diversos pensadores. A reação do público perante os velhos, porém persistentes discursos é de indiferença. “Nós sabemos bem que o homem moderno, saturado de discursos, se demonstra muitas vezes cansado de ouvir e, pior ainda, como que imunizado contra a palavra”, alertava Paulo VI na exortação apostólica Evangelii Nuntiandi.
Tudo isto, de certo modo, afetou as aspirações por mudanças da população mundial. Contentam-se com pequenas melhorias aqui, outras acolá. As grandes ambições coletivas por mudanças estão se extinguindo e a ambição individual pela ascensão prevalece. Não surgem mais novas ideias que valorizem o homem. A defesa do meio ambiente parece mais interessante. O homem saiu do centro dos debates. “Deve-se proteger também o homem contra a destruição de si mesmo. É necessário que haja algo como uma ecologia do homem”, dizia o Papa Bento XVI em 2008. Em contrapartida, hoje, a vida é submetida ao capital. Indivíduos inúteis à economia são facilmente descartáveis, caso do aborto e a eutanásia.
É justamente neste contexto que a mensagem evangélica deve emergir com mais vigor. Quando todos os outros edifícios das ideias, das vãs doutrinas estiverem ruindo, hão de perceber que o edifício da fé permanece de pé, apesar de todas as intempéries. O depósito da fé deixado por Cristo e passado pelos Papas até os nossos dias permanece intacto, iluminando nossas vidas e dando sentido a elas, apesar dos ataques do subjetivismo protestante.
É importante ressaltar que a mudança acontece quando se tem uma pregação e um testemunho da verdade. A Boa Nova não deve ser exposta como mais uma ideia no imenso mundo das ideias. O evangelizador não deve ter receio da identidade do Evangelho, pois ele não é apenas uma opção dentre outras, mas sim a melhor opção. Enquanto os outros têm pequenos fragmentos da verdade, o cristianismo a tem por inteiro manifestada na pessoa de Jesus. Como diz o nosso Papa, “o Cristianismo não é uma ideia, mas sim um acontecimento”. Deus em determinado momento entra na história, nos comunicando através de Seu Filho. Deus não se comunica conosco através de iluminados, como as demais religiões professam, mas somos iluminados pela Luz original.
Em meio aos notáveis fracassos das promessas de progresso material, apresentemos ao mundo o progresso da alma: a santidade. Este progresso não frustra, mas dá origem a todo bem. Apresentemos a utopia alcançável que é Cristo. Mostremos ao homem sua real vocação de santidade, na qual ele encontra sentido e prazer inesgotáveis. Santidade essa que não gera mudança apenas no indivíduo, mas abala as estruturas de toda uma sociedade, como vários dos nossos santos fizeram.
O conceito de progresso, na era moderna e pós-moderna, engloba o conhecimento e o poder. O conhecimento do mundo nos dá poder sobre ele e nos permite, de certa forma, utilizá-lo como bem queremos. No entanto, esta mentalidade está nos destruindo e destruindo o mundo ao nosso redor. Há um notável vazio no interior dos indivíduos, que relativizam a moral, e podemos visualizar isso repercutindo no planeta que já não suporta nossos desejos desenfreados. Há um aspecto que falta ao que entendemos como progresso: o aspecto do bem. Só o bem pode conduzir o progresso para rumos que não sejam a destruição, e a Igreja é a grande responsável por incuti-lo em uma mentalidade que não está disposta a renúncias e é indiferente à alma e ao que tange o transcendente. “A Igreja está tão próxima à consciência do homem, que consegue movê-lo a determinadas renúncias e a poder imprimir em seu ânimo determinadas atitudes de fundo”, diz Bento XI em entrevista ao jornalista Peter Seewald, transcrita no livro Luz do Mundo.
Nisto consiste o progresso da alma: a busca incessante pela prática do bem, insuflada pelo amor ao Criador e manifestada no amor à criação, em especial ao próximo, gerando paz, sentido e gozo. Oxalá os critérios de progresso abrangessem a alma, o bem e a santidade. Melhor seria se o desenvolvimento de uma nação não fosse medido pela simples soma das riquezas materiais, se a riqueza da alma também estivesse incluída, se o amor, a retidão e a bondade também fossem levados em conta. O progresso que vemos hoje destrói. A santidade constrói, e edifica o homem, conduzindo-o para o alto.
Fonte: Arthur M. Corona



Excelente artigo escrito pelo Arthur Corona, um jovem cheio de Deus e de força de vontade evangelizadora, nova e totalmente moldada para os dias de hoje. Conheço parte da história deste rapaz e pude ter a graça de conviver com sua família, que tenho como exemplo de um Santo lar. Arthur, este espaço é seu. Escreva quando quiser! Obrigado por abrilhantar meu site com suas inspiradas e maduras colocações. Deus, de fato, o separou para ele. Forte abraço a esta familia linda!
Deus seja louvado pela sua imensa misericórdia com todos nós!
Seja sempre louvado pelos seus resgatados, aqui Alan e Arthur, vidas preciosas que seguem sob a proteção do Altíssimo!
Beijos carinhosos de sua mãe, Arthur, e sua irmã em Cristo, Alan.
Meu sobrinho como estou orgulha de ti, neste momento estou chorando de emoção por mais uma de suas obras. Você é um exemplo de filho, sobrinho e neto estamos todos felizes, continue assim alertando a nós todos, obrigada, Deus continuará te iluminando.
Beijos de sua Tia Cida, primo João Eduardo e vovó Dolores.
Te amamos.
Meus parabéns Arthur, pela bela mensagem, e que o Senhor Deus te conserve sempre assim, tão especial, como bom filho, irmão, amigo, primo… porque você é importante na vida de todos nós…Beijo carinhoso da prima Therezinha….
Muito bom o artigo. Realmente, o grande problema atual é o relativismo, que tem tomado conta de grande parte do mundo, sobretudo da juventude.
Deus te abençoe Arthur, continue exercendo esse dom que lhe foi dado. Paz e bem!