Esclarecimento para as eleições 2010
10.09.2010Nós, bispos da Província Eclesiástica do Espírito Santo, sentimos a necessidade de esclarecer os católicos e pessoas de boa vontade sobre o seguinte:
1.A Igreja não exerce política partidária, portanto, não indica partido ou candidato durante as campanhas políticas. Porém, a Igreja, em seu discurso e ação defende a política do bem comum e a construção da democracia. “A Igreja tem o dever de oferecer, por meio da purificação da razão e através da formação ética, a sua contribuição específica para que as exigências da justiça se tornem compreensíveis e politicamente realizáveis”. “A Igreja não pode nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política para realizar a sociedade mais justa possível [...]. Mas toca à Igreja, e profundamente, o empenhar-se pela justiça trabalhando para a abertura da inteligência e da vontade às exigências do bem” (Deus Caritas Est 27).
2.Orientamos todos os católicos que se posicionem criticamente diante desta campanha que coloca o foco na CPI da pedofilia e na CPI do narcotráfico. Estes temas exigem nossa reflexão e atitude, mas não concordamos que a dor, a humilhação e o sofrimento das crianças e adolescentes vítimas de abuso sexual e tráfico de drogas e de armas, sejam transformados em espetáculo para angariar votos.
Caríssimos padres, lideranças católicas e pessoas de boa vontadeCaríssimos padres, lideranças católicas e pessoas de boa vontade, mantenhamo-nos dentro de nossos direitos sem violar o direito do outro, mas não nos omitamos nos esclarecimentos que devem ser dados a quem precisa, de forma que o voto seja consciente e responsável. O voto é um compromisso. É uma procuração que cada um dá ao candidato em quem vota.
Não podemos ser coniventes com pessoas que não têm ética na política.
D. Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo de Vitória do Espírito Santo
D. Décio Sossai Zandonade, Bispo de Colatina
D. Zanoni Demettino Castro, Bispo de S. Mateus,
Pe. Antonio Tatagiba Vimercat, Administrador diocesano de Cachoeiro de Itapemirim



