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Eucaristia, o próprio amor

Eucaristia, o próprio amor

28.06.2011

Na semana passada, no dia da solenidade de Corpus Christi, eu ouvia uma despreparada repórter dizendo que neste dia os católicos comemoravam a Eucaristia que “representava o corpo de Cristo”. É uma pena que para muitos a eucaristia não passa de uma mera representação.

Após ouvir a reportagem, que cobria ao vivo os preparativos para a procissão Eucaristia que aconteceria no centro do Rio de Janeiro em direção à Catedral Metropolitana, não pude deixar de refletir minha fé. De fato, caros amigos leitores, a Eucaristia é para nós Católicos Apostólicos Romanos um ato puramente de fé. Não há explicação palpável e que caberia dentro do nosso limitado raciocínio. A Eucaristia é o tipo de crença que se fundamente 100% na fé de cada um. Obviamente que cada um tem sua fé, afinal estamos em um país “livre” (pelo menos antes do PL 122), e podemos professar nossa fé nos mais estranhos nomes, “deuses” e entidades. Eu professo a fé verdadeira, em Jesus Cristo, o Filho de Deus que deu sua vida por mim. Acredito que uma imensa multidão ama e adora ao Senhor Jesus Cristo em espírito e em verdade, ou seja, com um coração repleto de fé! Porém, não podemos negar que outra grande parte vive como verdadeiros “zumbis”, professando uma falsa, fraca e influenciável fé que muda sua direção de acordo com a força dos ventos e com os desejos de cada pessoa. É ainda mais triste afirmar que dentro da Igreja Católica exista um batalhão de pessoas que não têm a menor idéia do que é a Santa Missa, que para nós Católicos, é o ato mais importante, pois não é um mero culto presidido por um sacerdote, e sim O ATO onde o próprio Jesus, na pessoa do padre, entrega sua vida novamente. Por isso, a repórter precisaria estudar um pouco mais antes de sair por ai falando do que não se conhece. Para nós, Católicos, a Eucaristia É o corpo do próprio Jesus Cristo. A Eucaristia não é um faz de conta, não é a representação e muito menos uma encenação da Santa Ceia. A Eucaristia É o corpo e o Sangue de Jesus Cristo, que em cima do altar morre por cada um de nós novamente para que possamos ter Sua vida infundida de cada um de nós.

Eu comentava com minha esposa o quanto alguns irmãos protestantes se contradizem em suas afirmações. Alguns destes irmãos são tão firmes em tecer afirmações errôneas e fundamentalistas à cerca do que se lê na Sagrada Escritura. Vejamos o exemplo abaixo que é usado largamente por alguns protestantes desinformados, desatualizados e que tiveram preguiça espiritual de estudar as Sagradas Escrituras como elas devem ser estudadas:

“Guardai-vos, pois, de fabricar alguma imagem esculpida representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher” (cf. Dt 4,16)

Alguns poderiam ler a afirmação acima, retirada de uma Bíblia Católica (Ave Maria), e interpretá-la ao pé-da-letra, sem contextualizar a Palavra de Deus para entendermos porque Deus fez tal afirmação.  O mesmo “crente” desavisado e robotizado que ataca os Católicos com infundadas acusações de idolatria, não continua lendo sua Bíblia para chegar até o Livro dos Números, onde após um grande ataque de serpentes ao povo de Deus que saíra do Egito, o próprio Deus disse a Moisés:

“Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.” (cf. Nm 21,8)

Não quero aqui atacar a crença de ninguém. Estou apenas apresentando os fatos para chegar onde Deus quer que este artigo chegue. Qual seria a diferença de apoiar ao pé-da-letra a citação em Deuteronônio 4,16 e esta:

“Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (cf. Lc 22,19).

Por que interpretar as imagens ao pé-da-letra, e não interpretar ao pé-da-letra o que o próprio Jesus mencionou, onde Ele fez a afirmação de que aquele gesto deveria ser perpetuado para que Ele pudesse se dar novamente a cada ser humano que pela força da fé conseguisse enxergar além da transubstanciação onde o pão se torna o Corpo e o vinho o Sangue de Jesus Cristo, que é crucificado em cada Santa Missa celebrada. Por que não acreditar? Por que não experimentar, pela fé, este Jesus que está doente de amor por cada um de nós como nos afirma São João Crisóstomo: “Não comungar seria o maior desprezo a Jesus que se sente “doente de amor” (Ct 2,4-5)”.

Nenhum de nós tem real noção do que representa a Santa Missa, onde Jesus Cristo, na pessoa do Sacerdote, repete o mesmíssimo gesto de entrega e abandono que rege a Igreja a mais de 2000 anos. Infelizmente não temos esta noção, pois somos falhos e não conseguimos valorizar, verdadeiramente, o que Jesus fez (e faz) por nós. Santo Cura d’Ars afirma: “Se conhecêssemos o valor do Santo Sacrifício da Missa que zelo não teríamos em assistir a ela! ” (São João Maria Vianey). Infelizmente nos tem faltado zelo com a Santa Missa. Muitos só vão à Igreja quando alguém de sua família, ou convívio, falece. Ou ainda quando algum parente ou amigo é batizado, celebra primeira Eucaristia e outros sacramentos. Quantos casamentos eu presenciei onde a Igreja estava vazia e a festa, pós casamento, já não tinha nem mais espaço de tanta gente. Perdemos a noção do que é prioritário e importante e temos nos entregado às facilidades dos falsos sacrifícios que têm sido “catequizado” sordidamente pelos veículos de mídia da nossa atualidade, a serviço de tudo que não presta. Precisamos resgatar este amor a Jesus Cristo.

Podemos começar na pessoa do sacerdote, que é um representante escolhido do próprio Cristo. Mesmo sendo pecador, somente o sacerdote pode trazer Jesus Cristo a nós. Ninguém mais tem o poder de transformar o pão e o vinho no corpo e no sangue de Jesus. Amemos mais nossos sacerdotes, independente do quanto “santo” possamos imaginar que ele seja. Vamos nos lembrar sempre que nós temos nossos pecados e limitações tanto quanto qualquer sacerdote que é tão humano quanto nós o somos. O amor começa nos pequenos e despercebidos gestos. Comece por eles e aos poucos vamos ver o quanto nosso amor por Jesus se solidificou.

Não assista uma missa na condição de um simples ouvinte. Participe do sacrifício de Jesus e esteja atento a tudo que acontece. Não fique na missa com dúvidas! Procure seu padre e entenda a razão da sua fé. Sem entender a Igreja é impossível amá-la. Conheça o que norteia sua fé e verás como será mais fácil manter a chama do amor a Eucaristia acessa e crepitante como nunca!

Fraternalmente,

Alan Cota.

Fonte: Alan Cota

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