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Quando os sacrifícios viram minha religião
24.08.2010 | Categoria: Artigos
Como é difícil entendermos a real mensagem contida no Santo Evangelho e naquilo que nos ensina a Igreja. As vezes acho que algumas pessoas fazem questão de não enxergar a verdade por trás daquilo que se lê, se aprende e se ouve sobre a forma com que Jesus nos recomenda que vivamos. Precisamos entender nossos objetivos e se meu culto é a Deus ou àquilo que Ele pode fazer por mim ou a mim mesmo.
Certa vez Jesus estava sentado à mesa juntamente com publicados e pessoas tidas como pecadoras pela sociedade judaica. Questionado sobre este ato pelos fariseus, Jesus respondeu: “Ide e aprendei o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia e não o sacrifício (Os 6,6).” (cf. Mt 9,13a). Jesus citou o profeta Oséias, revelando um belo ensinamento para aquele povo e também para nós, que devemos atualizar e contextualizar a Palavra de Deus para nossa vida atual. O que será que Jesus quis realmente dizer com estas colocações? Hoje, Ele quer nos alertar para qual tem sido meu objetivo como cristão, ou seja, um outro Cristo.
É louvável a quantidade de pessoas que têm dedicado sua vida ao anúncio do Evangelho e da Boa Nova por Ele revelada. Muitos irmãos e irmãs em Cristo têm se desgastado noite e dia em prol da evangelização de pessoas. Muitos pregadores, músicos, intercessores, sacerdotes, diáconos, bispos, o próprio Santo Padre o Papa e toda a Igreja tem se empenhado bastante em difundir os ensinamentos deixados por Jesus, libertando o povo eleito de Deus das mentiras que são incutidas no contidiano popular. Isso é um fato. Porém, muitos destes instrumentos de Deus têm vivido o oposto daquilo que pregam, cantam ou ministram, pois têm vivido um fé calcada nos sacrifícios e não na misericórdia, ou seja, no amor. Quando isso acontece há uma distorção daquilo que se vive com aquilo que se prega e se ensina e o sentido da evangelização se perde totalmente já que os sacrifícios se tornam o mais importante ocupando até mesmo o lugar de Jesus, que sempre deve ser o centro de qualquer atitude evangelizadora.
Quando aquilo que fazemos começa a ser nosso cartão de visitas dentro do contexto evangelístico, então algo em nós está muito desequilibrado. Se aquilo que eu faço para Deus tem sido motivo de acomodação, de fuga de compromissos ou até mesmo tem nos feito achar que merecemos os melhores lugares, que devemos ter prioridade ou sermos reconhecidos, então eu tenho vivido a religião do sacrifício, ou melhor ainda, dos meus sacrifícios. Se eu começo a usar tudo o que faço ou já fiz para Deus como pretexto para viver um “estacionamento” na minha fé, com certeza eu tenho levado a outros a minha história e não o Evangelho Vivo de Deus. Digo isso pois os que acham que já fizeram muito e por seus sacrifícios sentem-se no direito de escolherem o rítimo que irão ditar em sua vida de missão, começam a ministrar sua miséria e não um Deus que nos ensina e ajuda na superação diária de nossas limitações.
Um exemplo bem prático de quanto os meus sacrifícios ocupam o lugar de Deus no meu culto ocorre, pelo menos em minha cidade, quando uma frente fria chega até nós. Quantas pessoas deixam de ir à Santa Missa apenas pelo pretexto de que está frio e como eu já vivo na Igreja, sou ministro extraordinário da Sagrada Eucaristia, da Palavra, já fui no grupo de oração, preguei não sei quantas vezes naquela semana, sou coordenador disso, meu dízimo está em dia, blá, blá, blá e blá… Uma chuva de sacrifícios feitos em nome de Deus (será mesmo?) enumeram-se diante de nós com uma tremenda e assustadora facilidade, e porque não dizer também diabólica? Já imaginou se Jesus Cristo resolvesse parar de se manifestar em nossas vidas só porque Ele salvou o mundo? Creio que Ele tem motivos de sobra para “descansar”, afinal de contas ele carregou nossos pecados sobre Si. Porém Jesus, como sempre, é exemplo de tudo para nós. Ele não só nos deixa belos ensinamentos como também nos mostra como fazer, fazendo. Por isso ele é um líder nato, pois líder é aquele que conquista a admiração dos outros fazendo uma determinada atividade para que seus liderados o sigam sem que Ele tenha que obrigá-los a isso.
Se o próprio Jesus não enumera e joga em nossa “cara” o que Ele fez por nós, também nós não temos o direito de enumerar nossos poucos e duvidosos sacrifícios feitos em nome de Deus como pretexto para me manter na minha zona de conforto. Se você acha que já fez muito, ótimo! Louvado seja Deus! Eu profetizo que muito ainda tem que ser feito e nosso descanço só virar quando Jesus Cristo voltar em honra, glória e majestade! Até lá, tudo que colocarmos como motivos para não fazer a vontade de Deus é pura preguiça fomentada por sentimentos egoístas e arrogantes.
Não faça dos seus sacrifícios sua religão e seu cartão de visitas. Deixe Jesus Cristo ser seu cartão de visitas para qu no final da nossa jornada neste mundo podermos olhar para trás e dizermos como São Paulo: “Combati o bom combate!”. Lute! A vitória já nos foi garantida por Jesus! Amém, Aleluia!
Abraços.
Seu irmão em Cristo.
Alan C0ta.
Artigo imprimido de: Alan Cota
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