Somos a Igreja da Cruz, não da prosperidade
18.05.2010Somos a Igreja da Cruz e não a Igreja da prosperidade. A Cruz não é sinal de prosperidade e sim sinal de salvação para nós. Jesus não nos promete uma vida tranqüila; pelo contrário, Jesus nos anuncia a Cruz que cada um de nós precisará carregar ao fazer a escolha de segui-lo (cf. Mt 10,38).
De fato, somos a geração da Santa Cruz e não da prosperidade. Muitos irmãos têm buscado uma vida “mansa” e têm abandonado a Igreja Católica quando não encontram tal mansidão ou quando o mar começa a se agitar diante deles. O que seria de nós se Jesus tivesse agido como nós agimos, desistindo no primeiro obstáculo, na primeira dor, na primeira angústia? O que seria de mim e de você? Na certa estaríamos perdidos neste momento. Como nos fala São Paulo na sua Carta aos Colossenses, Jesus, pela Santa Cruz, rasgou nossa condenação encravando nossos pecados em sua Cruz (cf Cl 2,13-14). Se não fosse a paixão e a entrega de Nosso Senhor, estaríamos ainda condenados a uma vida longe de Deus e totalmente escravizada pelo pecado.
Jesus é nosso grande modelo de santidade, entrega e tantas outras virtudes que nos ensinam as Sagradas Escrituras. Na pessoa de Jesus encontramos respostas de como agir amorosamente em todas as situações que apareçam diante de nós. Porém, corremos um risco de olharmos os atos de Jesus sob uma ótica egoísta em que enxergamos e aprendemos aquilo que queremos ou que achamos oportuno, ignorando os demais ensinamentos. Precisamos enxergar a pessoa de Jesus, com seus atos e ensinamentos, por completo. E enxergar Jesus por completo é aprender com todos os Seus atos e com o Seu maior ato, ou seja, o ato definitivo (cf Hb 9,26), que foi Sua morte de Cruz.
Jesus transformou várias situações da lei e também do costume daquele povo. Uma das grandes transformações feitas por Jesus foi com relação ao objeto cruz. A cruz era, para os romanos, a forma mais cruel e sofrível de se matar um ser humano. Ao contrário do que muitos pensam, a cruz não matava pela hemorragia e sim por asfixia, ou seja, impossibilidade de respiração. A pessoa era pregada pelos pulsos para evitar que o peso de seu corpo viesse a “rasgar” suas mãos. Como o indivíduo ficava pendurado e sendo puxado para baixo pelo seu próprio peso sob a ajuda da gravidade, ele não conseguia respirar e morria de forma bastante dolorosa e cruel. Essa era a imagem da cruz antes de Jesus. Claro que Jesus morreu de forma violenta, como aconteceu com todos aqueles que O antecederam e tiveram suas vidas tiradas num madeiro. Porém, nosso Jesus não perderia a oportunidade de deixar-nos o maior dos ensinamentos e a maior das transformações. Ele, por amor, como uma ovelha muda, dirigiu-se ao matadouro (cf Is 57,3) e entregou-se na cruz, transformando a crueldade em instrumento e símbolo de salvação e amor para toda a humanidade. Junto com os nossos pecados, Jesus encrava na Cruz a imagem daquele instrumento de mortandade e muda-o em um instrumento de salvação, luz e entrega. Essa é a mensagem da Cruz de Cristo.
Tudo que vivemos é atingido pelo maldito relativismo, que nega as verdades da Fé e nega o próprio Jesus, pois Ele mesmo disse “Eu sou a verdade” (cf Jo 14,6). Esse relativismo também conseguiu distorcer a mensagem verdadeira da Cruz, que é a redenção e a salvação pelo sofrimento. Somos, sim, a geração e a Igreja da Cruz e, conseqüentemente, somos a Igreja do sofrimento, que opta, assim como Jesus o fez e demonstrou, pelo sofrimento em detrimento de uma vida tranqüila e repleta de facilidades. O que era mais fácil, em sua opinião, Jesus morrer cruelmente pela Cruz ou Ele estalar os dedos e mudar toda a humanidade como num passe de mágica? Claro que Ele, sendo Deus, poderia ter mudado tudo num piscar de olhos, mas esse seria o caminho fácil ou o caminho dos covardes, e Jesus não era covarde. Se não houvesse sofrimento não haveria ensinamento. Se não houvesse Cruz não haveria aprendizado e nem valor. Só valorizamos algo quando ele é de natureza difícil ou quando seu valor é altíssimo. Jesus, sabido como Ele era, não poderia nos deixar outro sinal de salvação e de amor senão Sua própria morte de maneira trágica e sanguinária, passando pela Cruz. Trocar a mensagem de sofrimento, deixada a nós pela Cruz de Cristo, por uma mensagem vazia de prosperidade ou libertação é, no mínimo, irresponsável e ingrato. Acreditar que a Cruz é um sinal de prosperidade e de uma vida fácil neste mundo é, no mínimo, ignorar cada gota de sangue derramada por nós.
Jesus não nos disse que a Cruz seria sinal de prosperidade aqui neste mundo; pelo contrário, cada um de nós deve tomar sua própria Cruz e seguir o mestre e Rei Jesus, que soube, com amor e determinação, carregar a Sua Cruz, mostrando para nós que é possível sim carregá-la e que, após o momento de calvário, sofrimento e dor, existirão um novo céu e a nossa grande recompensa, que é a ressurreição na Glória de Deus. Nosso reino não é deste mundo, como Jesus bem o disse. Nossa morada e nossa vida tranqüila nos são garantidas na Glória de Deus, onde Jesus disse haver várias moradas (cf Jo 14,2). Jesus nunca nos prometeu uma vida de abundância neste mundo, pois somos a Igreja da Cruz, a Igreja que prega, vive e se alegra em meio ao sofrimento, pois se o fundador desta Igreja Católica Apostólica Romana, que é o próprio Jesus Cristo, sofreu por nós para nos conquistar a alegria e a redenção pela Cruz, nós não poderíamos imaginar que trilharíamos um caminho diferente, concorda?! Temos que ser imitadores de Cristo (cf. 1Ts 1,6). E a imitação deve ser contínua, diária e abranger todas as áreas de nossa vida; devemos nos espelhar em todos os atos de Jesus para vivermos.
É claro que não estou condenando aqueles que trabalham honestamente para conseguir fortuna ou uma vida financeira mais abundante. Se você trabalha e ganha honestamente seu dinheiro, louve a Deus por isso. O que todos nós, principalmente os abastados, não podemos esquecer, é que o nosso chamado é um chamado à Cruz, ao sofrimento; cultivar bens neste mundo não nos garantirá a salvação (cf Mt 19,21). O que nos garante a salvação é passar pelo portal do amor, que é a Santa Cruz. Não permita que sua vida não passe pela Cruz. Se você a abandonou ou sequer sabe onde sua Cruz está, busque nesta Santa Semana fazer seu compromisso com sua vida de Cruz. Peça a Jesus que o ajude a carregar sua própria Cruz e a vivenciá-la dia após dia, pois, como disse São Paulo aos Gálatas, estamos pregados à Cruz de Cristo (cf Gl 2,19) e estar pregado à Cruz de Cristo é vivê-la como Ele viveu: pelo sofrimento.
Por isso, aproveite esta Semana Santa e revise sua vida de Cruz. Será que você tem se abandonado em Deus e O louvado pela Cruz que carrega ou será que você abandonou sua Cruz por uma de isopor, pequena, que pode ser levada no bolso e que lhe promete uma vida tranqüila, repleta de riquezas, ostentações, facilidades, etc.? Não busque as riquezas deste mundo, pois nossa vida está em Cristo e com ele morreremos para viver gloriosamente ao Seu lado por toda a eternidade. Não deixe que pessoas dominadas pelo demônio iludam você com teorias de libertação, prosperidade ou salvação instantânea e facilitada. Lembre-se sempre de Jesus, pois Ele sofreu verdadeiramente para que tivéssemos vida plena e direito à Salvação.
Uma Santa, abençoada e redentora semana para você!
Seu irmão em Cristo,
Alan Cota.
Fonte: Alan Cota



todos nós seres humanos, somos uma cruz, é so fechar as pernas,
e abrir os braços.
autor, júlio césar candela.